O que você vê? No que você pensa quando olha para ela? Esta cor lhe sugere algo? E o que diz a você esta caneca?
Pois eu a ouvi.
E posso contar: falou de um tempo em que era argila, encroada no chão com plantas, pedriscos e tudo o mais. Que foi tirada de lá a trabalho de enxada, trazida para o barracão, espalhada ao sol e quando seca, batida. Batida até todos os grumos se soltarem.
Então se viu peneirada até ficar separado todo o pedrisco, e mergulhada na água, virou lama. Depositada no tanque, lá ficou por semana ou mais, uma lama muito fina.
Contou que depois experimentou a vida numa máquina de rodar, rodar, sendo misturada a uma outra argila, esta em pó, e acabou como uma pasta macia e cheia de ar. Agora, massa cerâmica, foi amontoada sobre telhas, cerâmicas, transferindo dia a dia sua umidade para elas.
Quando estava no ponto, isto é, macia e úmida, mas firme, veio a maromba, para ser conformada a um tubo e de lá sair para um saco plástico grosso, bem fechado. Todos os sacos de mesmo tamanho. Melhor maturada ficaria se a deixassem quieta por no mínimo dois meses.
Quando a vi por primeira vez, a caneca, já entedia que fora torneada, ofício de gente que se amansa ao sentar ao torno, porque se não sossegar a alma, a mão não fica leve e o braço, firme. E a massa cerâmica é mui sensível, corresponde ao menor gesto ...e lá se foi ao prato do torno a peça que subia!
Eu já sabia também do tempo de secar naturalmente, ser queimada em baixa temperatura, virar biscoito, e depois, a cor. Aqui, cor aberta à fogo, em alta temperatura, no noborigama. A alquimia do barro, da água e do fogo, pela mão do artista.
Mas como eu contava, do trabalho do torno eu estou experimentando as emoções e decepções de aprendiz, mas do tempo e trabalho do preparo da massa cerâmica, não.
A caneca me contou.
Tem história, essa moça!
Ao saborear seu chá, escute-a...

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